Ponto final…

•04/09/2010 • 5 comentários

E chegou ao fim…

Já em Portugal há dois meses, mas sempre com uma réstia de esperança de poder aparecer a oportunidade para regressar, fui adiando o fim do From Dublin. Hoje chega mesmo ao fim. Está tudo acertado e até se poderá chamar From Lisbon…

Deixem-me recuar no tempo… que saudades 😉

Não começou nada bem a última semana em Dublin. Entregar a casa foi fácil, tão fácil como arranjarem motivos para nos retirar algum dinheiro da caução. Fica o conselho para quem for para fora: tirem fotografias a tudo quando alugarem uma casa, não vão no fim acusarem-vos de algo que vos é alheio. Pronto, logo ali, ficámos lixados. Mas há mais: cancelamento do contrato da luz sem problemas; restituição do valor da caução desse mesmo contrato -pago em cheque – o que como não tínhamos uma conta irlandesa e chegou já após a nossa partida, implicou o pagamento de uma taxa por depósito de um cheque estrangeiro. Calma pessoal, os problemas ficam por aqui, pelo menos para já…

E a semana prosseguiu… últimos dias de trabalho, passar tarefas, despedidas “laborais” e chegamos a sexta: a véspera da partida.

Antes, e já que falei das despedidas laborais, quero agradecer ao Dr. Nogueira Ramos tudo o que me ensinou e a forma como sempre me soube motivar;  e à Dra. Nancy Rodrigues por toda a ajuda, ai meus Deus, tenho saudades de estarmos frente a frente a trabalhar, que stress. Muito obrigado aos dois. Para todos os outros profissionais que interagiram comigo desde o pessoal da Embaixada à empregada de limpeza passando pelo senhora da distribuição do café foi um prazer.

De volta às últimas horas de Dublin, vocês sabem o que fiz no durante a tarde do último dia? Agora vão perceber melhor como era a minha vontade de ficar: fui requerer o cartão da segurança social irlandesa não fosse surgir uma proposta e, como é óbvio, ter de o apresentar 😉

À noite um jantar com a “família”: Ricardo, o outro Ricardo e a querida Sarinha! Em pleno Temple Bar uma jantarada para mais tarde recordar… Quem mais tarde se juntou foi uma das duas enfermeiras portuguesas mais simpáticas a trabalhar na Irlanda. Márcia faltou a Marisa. Aproveito para mais uma vez agradecer a hospitalidade, mesmo apesar de alguém afirmar que não dormi lá nenhum dia 😉

23h – A noite prosseguiu ao ritmo do costume: de bar em bar… Quisemos como é óbvio ir aos que mais nos marcaram. Penso que o último onde estivemos, não tenho a certeza, foi o meu predilecto – Exechequer – só consigo ter memórias boas daquele lugar…

3h – Seguimos o ritual: noite só acaba após passagem pelo McDonalds – como é bom eles funcionarem durante 24h.

3h30 – Alguém tem de ir para casa e por-se a caminho do aeroporto: Ricardo a tua hora está a chegar. Antes já o casal Sampaio Almeida ficou pelo caminho após uma calorosa despedida. Para vocês apenas isto: são os maiores, com vocês vou a qualquer lado, até à Noruega, mesmo que me deixem pendurado?! 😉  Sarinha já disse à minha mãe que foste tu que me puseste a comer peixe 😉 Ricardo Almeida se por acaso aparecem por aí testes de paternidade meus oferece peluches às crianças!

4h15 – Recordo-me como se fosse hoje, o Ricardo – o meu – (que barracada deu quando disse isto pela primeira vez) a entrar no quarto e dizer “Puto, tá na hora, o meu taxi já está lá em baixo”; a minha resposta “Não vais acreditar. O Moutinho vai para o Porto! lol Anda lá que eu ajudo-te a levar as malas” . A  verdadeira despedida claro está. Exatamente 6 meses após conhecer este artista, um grande abraço e a certeza que nos vamos encontrar muitas vezes ao longo da vida.

6h – Deitado na cama, adormeço… Ainda tenho algumas horas. O meu voo é só as 14h e inclui escala em Madrid antes de aterrar no Porto…

12h – As malas estão fechadas e pronto está na hora de ver passar Dublin pela janela do autocarro e pensar como fui feliz ali… Caem lágrimas. Como foi possível não aparecer “aquela” oportinidade para ficar?!

Já no aeroporto surge o primeiro revés: voo atrasado 1hora o que aperta o tempo para trocar de avião em Madrid; segundo revés: excesso, não, muito muito excesso de bagagem, solução deixar ficar praticamente todas os casacos e roupa de Inverno, felizmente estava acompanhado e a roupa está guardada em Dublin; terceiro revés: voo atrasado duas horas. Ai Iberia ai Iberia… Na altura, o meu pensamento foi outro: isto é um sinal para eu ficar em Dublin 😉

Chega a hora…

Mais uma despedida. Custa…

O avião levanta e já a meio da viagem sou informado por uma hospedeira que eu e mais um conjunto de pessoas perdemos os nossos voos de ligação. Até parecia que vinha do outro lado do mundo, quando na verdade nem a hora mudei…

Barajas estavas o caos… Três horas depois de estar na fila dos balcões da Iberia tenho a brilhante ideia: não há mais voos hoje para o Porto, portanto vou para Lisboa… “Pai, chego dentro de uma hora ao aeroporto de Lisboa!” Às vezes existem coisas boas no facto de a “família estar espalhada”… :S

Acabou. 23h aterrei em Lisboa!

E foi assim…

Faltava ainda contar algumas estórias: lembro-me da Noruega, dos jantares dos estagiários das embaixadas,  do 10 de Junho, da viagem a costa Oeste, do apartamento por baixo do nosso que servia de casa de alterne, das visitas de alguns I9’s… enfim… muitas

Este foi o último post desta saga. Ficará disponível para todos os que quiserem ler e descobrir o que foi esta experiência…

Obrigado a todos! 😉

Próximo destino: Lisboa!

São Patrício

•01/09/2010 • Deixe um Comentário

Ora vamos lá voltar a 17 de Março!

Dia da Irlanda. Santo padroeiro – St. Patricks – que é como quem diz São Patrício!

Para mim foi como se misturassem o Carnaval com S. João e rapidamente explico porquê: toda a gente mascarada na rua,  desfile de carros alegóricos,  cidade pintada de verde, imenso barulho pelas ruas, foguetes, trevos por todo o lado animação total.

Nós como é óbvio perdemos o desfile. Ou melhor, não perdemos, assistimos na televisão só saindo de casa quando acabou.  É o que faz ter o poder de prolongar as noites… Acho que me recordo onde estivemos na noite anterior 😉

Deixo-vos um cheirinho do que é o Paddy’s Day…

A cidade está deserta…. afinal parece que não – parte 3

•14/07/2010 • Deixe um Comentário

(Eu sei… eu sei… Falhei! Mas tentem compreender que não havia tempo para escrever com a frequência que pretendia. Tenho algumas aventuras guardadas e nos próximos tempos irei partilhá-las, sim porque agora tenho um mês e meio de férias! Até vai ser bom todos estes flashback)

E chegámos a Glasgow…

Bem, o que mais recordo da viagem entre Edimburgo e Glasgow foi o riso estridente das míudas que preenchiam a nossa carruagem. Meus deus… Preferi por o Mp3 nas alturas e dormir com o som da música do que dormir com aquelas gargalhadas… Ah diga-se que a viagem só durou pouco mais de uma hora.

Como a noite anterior tinha sido… bem… vocês leram no post anterior… decidimos ir descansar um pouco.  Pouco passava da hora de almoço – já agora que hora é essa? – era dia de Páscoa e a cidade apresentava-se pacata e silenciosa.

Dormimos. Ao fim da tarde decidimos partir à descoberta de cidade…

Onde estão as pessoas? Era dia de Páscoa, tudo bem, mas continua a existir vida não? Não. Parece que em Glasglow deixa de existir vida… Um pouco espantados, surpresos lá fomos percorrendo algumas artérias da cidade. Confesso que gostei do que vi. Completamente diferente de Edimburgo, marca pela inovação e modernismo…

Foi interessante ver como em apenas uma hora e meia a cidade se transformou… Entrámos num restaurante para jantar e quando saímos o caos, o pânico… As ruas cheias de gente, animação, confusão…Milhares de pessoas na rua!

Tudo aquilo que nos tinham dito sobre Glasgow – e que começávamos a duvidar –  estava diante dos nossos olhos. Estávamos agora novamente surpresos pois não esperávamos tanta gente. Entendemos depois que durante o dia a cidade estava tão calma porque no dia anterior a noite tinha sido de arromba – o habitual nos fins de semana de Glasgow pelo que percebemos.

Havia vários locais em que as filas superavam os 100, 200 metros…

O local escolhido, que não teve escolha, era uma espécie de Middle East/Africa Zone… turbantes, nigazz e aquele R&B sempre no ar! Mas a figura da noite até foi um russo. Das duas uma: ou já tinha tomado uns ácidos ou então sofria de um grave problema. Qual rei da noite qual quê… só superado pelas bailarinas que pareciam ter um sotaque português: quem é que disse que eram brasileiras?

O dia seguinte bem podia ser denominado de “Meia-Maratona Glasgow 2010 em marcha”.

Fizemos bem mais de 10 km… Ao nosso jeito batemos toda a cidade a pé!

Uma das marcas de Glasgow é a enorme rivalidade entre Celtic e Rangers. Segundo a tradição e a história o Celtic está mais afecto aos escoceses católicos, enquanto que o Rangers está associado aos protestantes. Como não podia deixar de ser fomos dar uma olhadela ao Ibrox Stadium e ao Parkhead.

E foi assim na Escócia…

À boleia da pizza – parte 2

•12/05/2010 • Deixe um Comentário

Edimburgo foi diferente. Em quê? Hum… Não houve tugas.

Bem, depois de uma longa viagem – 3horas – de Aberdeen até Edimburgo, deu-me a sensação de estar a entrar num outro país, num lugar daqueles que só vemos nos filmes antigos.  Não sei porquê nem bem o quê, mas a cidade tem algo. Voltarei um dia lá!

Como tínhamos dormido pouco, feito uma longa viagem, decidimos descansar um pouco durante a tarde e sair mais cedo antes do jantar para fazer um reconhecimento da área.

Mal estamos prontos para sair do hotel, que ficava a uns bons 3 km do centro, surge a primeira ideia brilhante: “E se pedíssemos boleia para o centro ao homem da entrega das pizzas?” Ainda não tinha ouvido a resposta já estávamos a falar com o homem. Siga à boleia da pizza. 😉 O homem já tinha estado em Portugal, no Algarve como é óbvio, mas agora os destinos eram outros: limitava-se a trabalhar e consequentemente gastar o dinheiro em destinos de Ski (também nos confessou que gastava algum em erva – ainda lhe disse que podia ir a Dublin cortar as que temos no jardim).

À noite foi tudo muito tranquilo, isto porque fomos para a zona errada da noite – nada que não se resolve-se na noite seguinte.

Sábado foi passado num autêntico “sightseeing tour” a pé…

Completamente estafados fomos descansar pois a noite adivinhava-se longa. Dito e feito.

Descobrimos a pólvora: Whiskey, Vodka, Bacardi, Malibu, Gin…. Tudo a 1 libra. Não, não pensem que é como é Portugal as bebidas são baratas, as marcas são rascas. Jameson, Eristoff,  Gordon’s… Uma questão de marketing, bar sempre cheio.

Nós nem queríamos, tínhamos as nossas garrafinhas de bolso. E por falar nisso, estamos nós a entrar numa discoteca quando nos decidem revistar. Em prol da equipa sacrifiquei-me. Mais valia o Ricardo lá dentro com uma garrafa do que sem nada, por isso entreti o segurança para só eu ser revistado. Antes que me dissesse algo ou que a descobrisse disse-lhe logo que tinha uma garrafa no bolso, ele sorriu e guardou-a. No final sem estar à espera entregou-me exactamente no ponto em que a tinha deixado. Surpreendente sem dúvida. A educação e o civismo é algo que existe em algumas pessoas. Era Australiano.

Já cá fora decidi contar uma história – não foi bem a do costume, outra um pouco mais hilariante. Bem ao fim de 45 minutos, com um público  a rondar as 10/15 pessoas estupefactos e admirados, e já com o Ricardo a suplicar para parar tal era a galhofa, despedi-me da malta. Cambodja, cicatrizes, fotografias. Montem a história e juntem o Karma!

Continua… Em  Glasgow

Levar areia para o deserto – parte 1

•18/04/2010 • Deixe um Comentário

Esta aventura é o primeiro episódio de uma epopeia na Escócia

Como na Irlanda é feriado tanto na 6ª feira como na 2ªfeira de Páscoa , decidimos aproveitar todos esses dias e visitar o país dos castelos.

O plano era “simples”: quinta-feira ao final da tarde voar para Aberdeen, bem no Norte da Escócia, depois Edimburgo e terminar em Glasgow, terminar em Glasgow é como quem diz, porque as coisas terminam com uma boa noite de sono e descanso, tendo em conta que viajei na madrugada de terça feira e que quando cheguei só tive tempo de me arranjar e ir trabalhar, é legítimo afirmar que a viagem terminou em Dublin!

Aberdeen – Cidade do Granito.

O voo demorou menos de uma hora e foi passada a observar as montanhas verdes cobertas de neve.  Bonito sem dúvida. A ideia que ficou, ainda quando estava lá em cima, foi a já que tinha: apesar de ser a maior e mais importante cidade do norte da Escócia, é relativamente pequena: 200 mil habitantes.

Após uma horita à procura do hotel (quem nos manda sair do autocarro a meio da caminho: “Puto, saímos na próxima!”) – lá fizemos o check-in e fomos fazer um reconhecimento da área. O reconhecimento foi do género: “ Parece-me bem aquele bar ali. O ecrã é grande!” Não se esqueçam que era noite de Liga Europa e jogava a minha equipa de vermelho favorita: o Liverpool, contra o milhafre da capital.

Estamos nós já sentadinhos a petiscar e de olho numa loira – acho que se chamava Carlsberg!? ou seria Heineken?! – Quando numa reacção automática: “São portugueses, não falha.” Não sei se é por estar fora já há alguns meses de Portugal, mas parece que identificar quem é português é agora mais fácil do que nunca. Não falhámos: 4 portugueses.

Ao contrário de nós estavam em trabalho, uma formação de duas semanas em Higiene e Segurança. Como verdadeiros tugas tá a juntar duas mesas, pedir cerveja e ver a bola. Calma, ainda há mais, a empregada também era portuguesa. Eu ainda estive para perguntar se havia escoceses por aquelas bandas. Parecia que tínhamos ido para o deserto e na mala levávamos areia 😉

Equipa completa, vamos lá ver como a noite de Aberdeen mexe. Resultado: para uma quinta feira não estava mau, ao contrário da Irlanda, não era feriado na sexta, mesmo assim ainda deu para nos divertirmos, mal era se não nos divertíssemos: fechámos tudo o que havia para fechar: Pubs, bares, discos, boate… fechámos tudo naquela cidade.

Para onde vamos?

Hum… Casino! Não fomos para jogar, apenas beber (mais) um copo e continuar com a boa disposição, boa disposição essa que quase desapareceu após um longo inquérito na recepção do casino. Fazia-lhes confusão ser Português, viver em Dublin e estar na Escócia. Resolvido tudo lá entrámos. E quando não encontramos portugueses quem encontramos? Irlandesas, pois claro.

5h da manhã: boa hora para regressar ao hotel. Boa hora só se for para ficar à porta e ninguém abrir Ao fim de 30minutos à espera e lá me lembrei de ligar para o hotel. Lá veio o segurança a pedir desculpa e  a dizer que estava a comer qualquer coisa na zona do bar e que por isso não ouviu. Curioso é que cerca de uma hora depois deu a mesma resposta ao Ricardo.

Meia dúzia de horas depois já estávamos a pé, prontos para seguir viagem: Edimburgo, via Dundee. Mas antes o belo do pequeno-almoço para dar energia.

Continua…

Cumpram a vossa Fé…

•29/03/2010 • 1 Comentário

Para que não sejam feridas susceptibilidades isto é um bar 😉

Uma atrás da outra…

•26/03/2010 • Deixe um Comentário